Mesa Virada
New City Rockers
Alternar Records . 2007
Por Arthur Dantas
O NEW CITY ROCKERS foi formado durante o ano de 2001 na cidade de São Paulo. Seu álbum, Mesa Virada, marca o retorno da banda depois de um breve hiato e mudanças de formação.
O grupo insere-se no mesmo ambiente que gerou um Flicts, Excluídos ou um Busscops, por exemplo: músicos amantes do som da primeira geração punk inglesa criando uma releitura atualizada para os trópicos no século XXI. Inclusive, uma canção deste CD, “77 em 99”, dá o tom desse clima passadista (“Stiff, Clash, Sham 69 / Uma eterna fonte de inspiração / Para todos os garotos punk rockers / Que mantém viva a chama no coração).
As bandas citadas nessa letra dão a medida do que esperar no álbum. A escolha dos timbres de guitarra mais contemporâneas, um baixo muito atuante e com uma cadência muito marcante dão o tom e remetem ao punk rock estadunidense que realiza a mesma operação de tentativa de revitalização do punk 77 londrino, como um Rancid ou um Dropkick Murphys, para ficar em dois exemplos conhecidos.
O New City forma uma tríade juntamente com Flicts e Excluídos, no sentido de serem estas as melhores bandas paulistanas a realizar essa releitura punk, cada uma recuperando uma dimensão daquela época. Se os Excluídos optaram pelo romantismo juvenil a moda de um Buzzcocks (diga-se de passagem, muito anterior e com uma auto-ironia impensável no emocore atual), o Flicts optou por letras engajadas e rueiras, recuperando um aspecto pouco desenvolvido da Oi! Music londrina (talvez anteriormente no Brasil, só os Garotos Podres tenham investido nesse filão com excelência), ao passo que o New City recupera a sonoridade do Stiff Little Fingers e de um Sham 69 em porções iguais, aliadas às letras típicas das bandas street punks imediatamente posteriores ao Sham 69, onde a política aparece sempre como algo maligno e desprezível.
Ainda que o disco seja poderoso, no sentido que o pessoal conhece muito bem o terreno no qual se move e cria algumas canções tão marcantes quanto a de seus ídolos, as letras incomodam por não conseguir atualizar a temática escolhida, muitas vezes soando como uma resenha de tópicos já discutidos e cantados por centenas de bandas. Nesse sentido, me parece que o Flicts continua como o grande grupo dessa geração., no sentido de acrescentar cor e sabor local à uma estética tão antiga e definida. De qualquer forma, o disco é uma pedida excelente aos punk rockers descritos na canção citada acima.
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